sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O que é isso, Maria?


      Bem, digamos que não sou uma das pessoas mais normais do mundo, afinal, não é todo dia que se encontra uma adolescente andando sozinha na praia, muito menos observando o mar com a água nos joelhos.
      Consegui não pensar em nada por alguns segundos, afinal, essa manhã não foi tão boa para se pensar. Na verdade a única coisa boa que ela me trouxe foi me encontrar um pouco, processar meus pensamentos. É muito bom poder fazer isso.
      Na verdade eu não sei se uma companhia me faria tão bem agora. Tenho que me acostumar a viver sozinha, todos temos. Não é sempre que teremos alguém que nos entenda tão bem quanto nós mesmos.
      Bom, não acredito muito no ‘mas não me entendo’. Pra mim é fugir da realidade, se esconder, fingir que algo simplesmente não está acontecendo. É só querer ver, não é tão difícil descobrir o que tá acontecendo.
      Acredito que companhia não seja um estado físico. Não pra mim. Já sofri bastante por ter essa “sensibilidade” a companhias. As vezes me pergunto ‘pra quê ser tão sensível e ver o mundo desse jeito? ’.
Mas mesmo assim acho muito incrível esse jeito de gostar das pessoas, sem motivos (aparentemente), nem convivência. Tudo o que eu sinto é tão puro, atracão física é última coisa em que penso quando estou assim, encantada. Poder sentir, abraçar e ouvir mesmo tão simples se torna tão bom, incrível e prazeroso, quando é com a pessoa certa.
     Voltando ao sentimentalismo geral, eu sei que sendo assim, me encantando tão fácil pelas pessoas eu vou sofrer. Sofrer e sorrir, nada se compara a um bom encanto. Minha fragilidade me dará visão às coisas boas. Deixando então de necessitar tanto de pessoas. Quando eu não acreditar em mais ninguém vou poder olhar o mar, o céu, que mesmo aparentemente sem ouvidos vão me entender tão bem quanto, e trazer alívio. 


Um comentário:

  1. Maria, ler este texto me trouxe um paz interior inexplicável. A sensibilidade humana é uma dádiva que poucos tem. Você, neste sentido, é uma privilegiada. Parabéns pelo olhar crítico e humano que expande para o mundo...

    ResponderExcluir